Linhas Tortas

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." ( Graciliano Ramos )

Tuesday, December 16, 2003
  Estréias

Vou confessar para os leitores dessa "coisa" aqui: hoje estou sem assunto. Nada demais. Na maioria das vezes que aqui escrevo, fico em situação semelhante; talvez seja culpa do mundo, talvez só do autor. A verdade é que escrever sobre paulistas mortos por paulistas, a captura de um Iraquiano safado ou estréias infantilizadas são, eu tenho que confessar, bastante tediantes.
Fiquei sabendo, dias atrás, da estréia de Acquaria- ou porcaria parecida. É protagonizado por Junior, que ultimamente proclamou aos quatro ventos:-"não sou mais virgem!" e Sandy, que dispensa revelações. A história é uma besteirinha envolvendo desertos, agua, vilões "disney" e outras imbecilidades que fazem a cabeça dos pivetes e, não raramente, também de seus pais. Outra estréia é "Irmão Urso", da Disney, que anda mal das pernas. Se Deus é justo, esse será o último desse império. Filme tem moral juvenil, vozes dubladas por atores famosos mas inexpressivos, algum orçamento e profundidade zero: tipíca animação disney. Mau conhecedor da erudição do público "multiplex" que sou, este fará uma boa bilheteria. Se não fizer é por questões ideológicas ou pecuniárias. Pronto: Agora deixem-me assistir o meu "Alphaville"... 
Sunday, December 14, 2003
  Acontecimentos Importantes

Soube que prenderam Saddan. Não poderia me importar menos. Após anos de procura e com a ajuda duma razoável matança, o sujeito foi encontrado. Será exposto pelos quatro cantos do mundo como um troféu dos americanos, que conseguiram a proeza de achar o indíviduo, mesmo tendo um macaco como presidente. É algo louvável e mesmo eu, que não gosto nem de um nem de outro, tenho que admirar.
Outro acontecimento importantíssimo e que me sensibilizou muito, foi o dos skinheads paulistanos. A coisa se deu assim: uns dois punks burgueses e de gel nos cabelos, entraram num metro qualquer, e lá, para a surpresa deles- e euforia minha- encontraram uns três skinheads, inteligentes o suficiente para saber como proceder. Lá dentro e sob ameaça de morte, obrigaram os dois pivetes a pularem do veículo- em movimento, graças a Deus. Um, que gostava de tocar guitarra, teve que ter o braço amputado e agora encontra-se em depressão. Bom ouvinte de Death Metal, não pude conter a alegria: menos um guitarrista paulistano punk. Coisas de Natal. O outro perdeu metade do cérebro e encontra-se em estado grave, talvez morra. Aqui a alegria deu lugar ao espanto: não sabia que possuia semelhante orgão. Dias depois, os skinheads se entregaram. Provavelmente não serão mais nada na vida- se é que já foram. No saldo final e como um bom pernambucnao que sou, não poderia me preocupar menos: cinco sujeitos, que não me transmitem simpatia alguma, arruinados. Estão aí, para o leitor, dois acontecimentos de notável importância tratados com a seriedade necessária e sensibilidade aguçada por este que vos escreve. 
Sunday, October 12, 2003
  A Nouvelle Vague

Recentemente, lembrei-me dum determinado período, lá pelas décadas de 60, onde a arte cinematográfica era o sétimo céu. Hoje em dia não é bem assim. O camarada que arrisca-se a fazer um filme para um determinado grupo de indíviduos pode ter como futuro certo vender cachorro-quente na praia ou desgraça pior. Mas como eu estava dizendo, na Nouvelle Vague o diretor pintava o diabo: escrevia roteiro, dirigia, produzia e etc. Era a época da famosa "política do autor", estabelecida por Jean-Luc Godard e seguida por mais uns trezentos sujeitos sem personalidade. Do mesmo período mas de movimento diferente, o público conheceu Frederico Fellini, mestre italiano e que por aquelas épocas estava fazendo a sua autobiografia descarada: Oitto & mezzo. Com dez anos depois, ficamos sabendo que a obra-prima nada mais era do que um pretexto para Fellini dirigir umas cinco porcarias, adoradas por muitos(inclusive por este que escreve) e assim ganhar glória eterna.
Do outro lado do mundo, Nagisa Oshima chocava os conservadores com obscenidades naturais. Tudo milimetricamente exposto para o desgosto total da massa japonesa. No Ocidente, foi aplaudido e tido como mestre insuperável. Nada de novo: após se estripar, Mishima foi taxado de "o maior escritor japônes" pelos ocidentais. Também o mais conhecido- em seguida vem Murakami.
Por aquelas épocas, o cinema brasileiro já tinha dado alguns passos. Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e o cinema marginal de Rogério Sganzerla. Para falar a verdade, deveria ter ficado nesses passos mesmo: ficariamos livres de melodramas manipulativos como Carandiru, Lisbela & o Prisioneiro e porcarias similares.
Passada a fase 60 e entrando na decada de 70, encontramos a decadência: o americano caindo nas ladainhas de Spielberg com seus "family movies" e a chegada dos cada vez mais insuportáveis "blockbusters" para lascar tudo de vez. Chegamos ao fundo do poço. Mas uma coisa é certa: depois da Nouvelle Vague, nada mais foi a mesma coisa: pioremos em tudo.
- O mentiroso Fellini. 
Monday, September 01, 2003
  Recife "choca" o cinema

Faz algum tempo que um certo filme, "Amarelo Manga", circula por multiplexes e similares, causando tumulto e algumas discussões supérfluas. Certamente não é uma obra-prima e nem pretendia ser; mas antes um "choque" num sistema conformado demais. A atitude de colocar semelhante obra num ambiente hóstil a este tipo de arte também é ousada mas calculada: possui o "atrativo" de ter sido feito no Recife, fato este que irá atrair recifenses e turistas ignorantes. Nada mais óbvio já que a cidade parece ser um pouco timida tratando-se desse tipo de exposição.
O excesso de pornográfia, ataques de todos os lados e realismo extremo fazem deste aqui algo difícil de ser diregido. Paradoxialmente, também é extremamente engraçado e interessante. "Amarelo Manga" responde bem a pergunta: "E Recife lá tem cinema?" 
Sunday, August 03, 2003
  Comparações Indevidas

Soube que alguns individuos andaram me comparando a Arnaldo Jabor. Creio que após "postar" mais de trinta mensagens entupidas de erros gramaticais dignos do Presidente e ainda por cima mostrando-me mais um "pedante imbecil"; a comparação é indevida: mereço mais respeito. Que Arnaldo Jabor é um verdadeiro entusiasta dessa geração 'anos 90 & paulista'; e que é muito capaz de fazer concessões aos gostos populares, é coisa que ninguém pode discordar. Que Hofgen é o oposto, também é outra. Então, por que a comparação?É Porque meus textos, com pouco conteúdo, fazem os outros rir?Que culpa tenho eu se um mongolóide, leitor do meu site, tem ataques de gargalhada com piadinhas sem graça e decide soltar inverdades a torto e a direito?
Aliás, who is Arnaldo Jabor?Um "jornalista" qualquer?Um formador de opiniões?Ou um Paulo Francis de meia tigela?Sem pensar muito, pego a última escolha. Seus textos são reciclagens afrescalhadas de Francis e esse humorzinho carioca de meia-tigela irrita: precisa ver mais Abumjara. O brasileiro, parece-me, ser um povo que busca ser engraçado a todo custo, mesmo quando este é bem alto. Diante da seriedade, esconde-se e vê-se diante de uma hecatombe: impossível reagir. Não sei quanto aos habitantes do Sudeste mas nós, do Nordeste, não temos o hábito de ficar, perdoem-me o vocabulário rude, "feito putas no cio" atrás de piadinhas qualquer; temos percepção o suficiente para saber quando se diz algo e quando não. Peruagem: gastei mais de dez linhas para dizer "não me comparem a Jabor". Necessário aprender a 'cortar', do contrário vou terminar como essa "geração 90" ou eleito Presidente da República. 
Friday, August 01, 2003
  Reflexões de um mestre sobre mestres

Começando Agosto e após ter escrito sobre um mestre, decido postar o que outro grande mestre pensa sobre o trabalho de tais companheiros. Essas reflexões, simples e diretas, são o que de melhor li sobre este "ofício do verso", no dizer de J.L.Borges.

01- The classics are the books of which we usually hear people say, "I am rereading . . . " and never "I am reading . . . "
02- We use the words "classics" for books that are treasured by those who have read and loved them; but they are treasured no less by those who have the luck to read them for the first time in the best conditions to enjoy them
03- The classics are books that exert a peculiar influence, both when they refuse to be eradicated from the mind and when they conceal themselves in the folds of memory, camouflaging themselves as the collective or individual unconscious.
04- Every rereading of a classic is as much a voyage of discovery as the first reading.
05- Every reading of a classic is in fact a rereading.
06- A classic is a book that has never finished saying what it has to say.
07- The classics are the books that come down to us bearing the traces of readings previous to ours, and bringing in their wake the traces they themselves have left on the culture or cultures they have passed through (or, more simply, on language and customs).
08- A classic does not necessarily teach us anything we did not know before. In a classic we sometimes discover something we have always known (or thought we knew), but without knowing that this author said it first, or at least is associated with it in a special way. And this, too, is a surprise that gives much pleasure, such as we always gain from the discovery of an origin, a relationship, an affinity.
09- The classics are books which, upon reading, we find even fresher, more unexpected, and more marvelous than we had thought from hearing about them.
10- We use the word "classic" of a book that takes the form of an equivalent to the universe, on a level with the ancient talismans. With this definition we are approaching the idea of the "total book," as Mallarmé conceived of it.
11- Your classic author is the one you cannot feel indifferent to, who helps you to define yourself in relation to him, even in dispute with him.
12- A classic is a book that comes before other classics; but anyone who has read the others first, and then reads this one, instantly recognizes its place in the family tree.
13- A classic is something that tends to relegate the concerns of the moment to the status of background noise, but at the same time this background noise is something we cannot do without.
14- A classic is something that persists as a background noise even when the most incompatible momentary concerns are in control of the situation.
( Italo Calvino, Why Read the Classics? ) 
Thursday, July 31, 2003
  Um pouco de Joyce ( I )

"Mas a minha tortura inda é maior:
Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha Dor !"
(Florbela Espanca, A maior Tortura)

Poucos escritores, no sêculo passado foram tão discutidos e temidos quanto Joyce. Motivado por um intenso desejo de criação, de exposição do seu gênio, o escritor terminou por criar um mito: o de um ser impenetrável, de uma literatura complexa demais para ser entendida ou mesmo de uma anti-literatura. Será isso Joyce?Qual é realmente a importância desse irlandês?
Julgo que para tratar do mesmo, é necessário ler(ou reler) 'Portrait of an Artist as a young man'. Aqui Joyce aparece inteiro: seja como o menino ordinário, confuso e que apanha na escola ou seja como o adolescente desiludido. Poucos livros foram tão sinceros e límpidos quanto Portrait.... É um romance de formação no mais amplo sentido da palavra mas também um livro de descobrimento, de dúvida e angústia. Por outro ângulo serviria bem como autobiografia. Tendo sofrido o duro aprendizado 'jesuita', Joyce buscou aqui expor suas vivências da forma mais natural possível, assim, o leitor é exposto a todos os tipos de comentários: sobre suas notas baixas, sobre seu pai e seus tios, sobre C.S.Parnel e Byron. Aliás, esse penúltimo, não por acaso, termina por ocupar papel importante nas reflexões de Stephen. Charles.S.Parnel foi um grande líder irlandês e um grande homem mas que caiu, exatamente, por um "pecado": o adultério. Será que o "destronamento" de Parnel foi uma atitude justa?Ou um evento semelhante a "pisa" injusta que Dedalus(Mito Grego?!) levou dos jesuitas? Este, assim como o própio Joyce, manteve uma relação complicada entre o instinto e a igreja. O protagonista Dedalus não era um mau cristão mas certas ações suas poderiam ser usadas contra sua "religiosidade". Essa ambivalência moral e religiosa, de um cristão que quer pecar mas ao mesmo tempo sente-se "sujo" por semelhante atitude, também terá presença na vida de Joyce. Conflito religioso será quase uma marca na alma deste católico mas simpatizante dos ideais protestantes.
Falar do conteúdo de Portrait e se esquecer do seu estilo é o mesmo que nada. O fluxo-de-consciência, longe de ser nervorso ou intricado(como será em Finnegans e Ulysses), é bastante simples e natural. Lendo no original, a leitura é suave, nada de complicações e mistérios. O sermão do inferno, passagem magnífica, nos atinge em cheio: experimentamos na mesma hora, o que Stephen, o "pecador sujo e amante de Byron", experimentou e ao mesmo tempo admiramos o número de imagens que o padre faz uso para amedrontar os pivetes. Mas mesmo assim, Portrait está longe de ser um livro elegante, se pegarmos Demian ou mesmo Tonio Kroger como referencial, e nem podia: não é um livro filosofico, 'de ensaio'; apenas é o terceiro passo do artista Joyce mas que poderia muito bem servir como o primeiro duma revolução. 
  Releitura da Leitura

Fernando Pessoa é um enigma. Para salvar esta frase do óbvio, precisamos discutir o que é um enigma: incompreensão?Não, prefiro algo mais poético, como o própio homem: uma descrição metafórica de uma coisa, tornando esta difícil(quase impossível) de ser advinhada. Assim está melhor mas será que resume tudo?Creio que não: Pessoa não tem fundo nem forma. É vasto demais, complicado mas também simples. Cheio de ambivalência, que o leitor encontrará constantemente na sua obra; Pessoa lê o leitor e não o contrário. Podemos, de certa forma, achar que estamos descobrindo a obra de Fernando mas é justamente ela que nos descobre. Toda poesia é uma experiência subjetiva e disso não temos como escapar: é assim e acabou. Com Pessoa, a situação não muda mas muito pelo contrário, comprova-se: passamos, através da poesia dele, a visualizar a nossa própia existência.
Então retrocedemos: que 'coisa' é está?Onde Fernando quer chegar?Difícil analisar, supor ou concluir alguma coisa com o que o homem nos dá. É um espelho quebrado em quatro faces que recusam junção. A vastidão existencial e metafísica de Pessoa é inigualavel: quase um labirinto sem saida. Creio até que só vai achar interlocutor com Borges. Procuro ver Pessoa como um problema insolucionável mas também como a resposta para o mesmo. É um paradoxo, eu sei, mas isto é Pessoa. 
Wednesday, July 30, 2003
  Vergonha

Para todos os efeitos, Carpeaux foi o nosso maior crítico literário e erudito. Esse vivente, que parecia um macaco, era capaz de dissertar sobre Thomas Mann passando por José Lins do Rego, Hardy, Grass, Proust e Graciliano Ramos. Um monstro. Confesso não sustentar o riso quando vejo o americano se vanglorizar por ter um Harold Bloom quando nós temos material de maior valor; mas o riso logo converte-se em vergonha: Carpeaux, aqui, é estrangeiro. O brasileiro ignora a sua importância e contribuição, relega-o a sétimo plano enquanto a ralé da ralé sobe e pinta o diabo. A crítica literária torna-se piada, inverte "O Ideal do Crítico" e busca, na camaradagem e no capital "por debaixo do pano", pretextos que escondam suas óbvias limitações. Carpeaux, homem íntegro, jamais se adaptaria a isso. Penso que o melhor foi ter morrido lá pela década de 70, onde era compreendido e estimado. Três décadas depois, seu trabalho seria visto como desnecessário e cansativo, o que não deixa de ser uma regressão pura e cretina mas como brasileiro, sou obrigado a me acostumar com a realidade, que se não é boa, poderia ser pior. Conversa: pior do que está, não pode ficar.
 
  Fascista/Reacionário

Décadas atrás, o substantivo masculino 'Reacionário' indicava um sujeito odioso, intolerante, canalha. Também desejava o fim dos comunistas, heróis, em conformidade com a visão política-romântica do brasuca. Hoje trocaram o 'Reacionário' por 'Fascista'. A maioria dos jornais, de "classe", abriga pelo menos trinta vermelhos para um "fascista", que logo é expulso, vítima de honestas calúnias. Desnecessário integridade quando ela inexiste numa sociedade.
Então por que Graciliano Ramos, um comuna, na apresentação?Hipocrisia?Nada disso. Ramos não foi, no sentido máximo, um comunista mas um humanista- como Nelson Rodrigues. Cansado da suposta exploração, do capitalismo selvagem, viu o comunismo como uma resposta às suas rezas(era ateu). Com pouca dificuldade, entrou no partido e ali deu para causar problemas. Burrice misturar um temperamento áspero, objetivo e crítico com um bando de românticos, semi-analfabetos e bajuladores de Marx. Ramos chocou o partido, criticou/elogiou a U.R.S.S stalinista e não fez concessões em relação ao nosso "comunismo". Resumindo: até morrer, recusou-se baixar a pancada. Hoje, duvido da existência de algum "esquerdista" como Ramos.
Década de 60. Nelson Rodrigues, auto-intulado 'Reacionário', ataca os regimes comunistas chineses/cubanos/sovieticos, padres de passeata e Dom Hélder. É execrado, tido como pervertido, canalha e ateu. Mas o autor não se cansa: continuou expondo os sofismas vermelhos e causando desconforto: só assim aprendem. Foi também um dos primeiros a igualar 'Nazismo' com 'Comunismo', matando de enfarte boa parte dos velhos vermelhos. Não teve remorso: morreu pobre e feliz.
Dias atuais, sem Ramos e Rodrigues, os esquerdistas dominam. Lula, que aparentava ser promissor, revela-se um incompetente: perto de Bush, é reduzido a Luís Inácio Lula da Silva, metarlúgico, torneiro mecânico e inglês analfabeto. Os jornais separam o mundo: normais(comunas) e fascistas(o resto): ou estas comigo ou com eles. Através de semelhante procedimento, inicia a ditadura dos 'In': Intolerância, incultura e incapacidade. O presidente passa a ser alvo dos biográfos, sedentos por safadezas e enriquecimento rápido. A USP, o "cérebro" de um país acéfalo, busca resumir a situação brasileira: -"Agora vai tudo muito bem!". Antônio Candido, grande intelectual, suja-se prefaciando livro lorpíssimo sobre o metarlúgico. Provavelmente pensou que as elites vão se acabar e que o Brasil será uma Suécia. Nada contra ilusões mas do jeito que as coisas andam, não sinto problemas em me considerar Reacionário.

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  Jornalismo
"Para piorar, adotou-se nas páginas culturais a medida padrão das matérias do noticiário geral, sempre curtinhas porque se destinam a um público que supostamente odeia ler. Hoje em dias os ensaios brilhantes de Otto Maria Carpeaux ou Álvaro Lins seriam recusados sob a alegação de falta de espaço (tanto mais absurda e demagógica quanto mais os jornais cresceram em número de páginas desde a década de 50). E o mais deprimente de tudo é que esses editores, quanto menos se exige deles em preparo cultural, mais autoridade adquirem: eles têm hoje até mesmo o direito de meter a caneta no texto alheio, como se um escritor profissional fosse um foquinha necessitado da sábia assistência de um copy desk." - Olavo De Carvalho

Em dias atuais, a pátria demanda diploma para exercer esta módica profissão. Esquecida que a experiência aqui supera a teoria e ignorante em relação às práticas do ofício, termina por "alambicar" o emprego. Faculdades são verdadeiras criadoras de 'robôs jornalistas' possuintes de estilo genérico, incapazes de acertar três períodos- e quando acertam é uma esculhambação. Passados mais de três anos reaprendendo cartilha de Bê-a-Bá, o jovem vê-se num mercado de poucas demandas. Necessário conseguir profissão, arranjar sustento, ganhar a vida. Com algum tempo, passa a perceber que para atingir tais metas terá que se prostituir intelectualmente. Fácil. Todas as leituras eruditas que teve, enquanto pivete, serão jogadas fora: escreve-se para o povo e este carece de inteligência. Importante escrever "nadinha", "muitcho massa", "chiquerrima!!", porque esta é única linguagem dele: não entende- ou recusa- outra.
Posto contra a parede, o jornalismo precisa renegar a língua em prol dum 'linguajar habilmente falado por Adriane Galisteu e outras mulheres de cultura exemplar'. Indispensável prudência: com algum tempo, passaremos a desconhecer um verbo ou um predicado. A violência filológica atinge graus extremos: Mirisola no grupo Folha, Fernanda Young na Globo e Chauí acanalhando Espinosa. O público adora e os intelectuais, verdadeiros Bin Ladens esquerdistas, aprovam: -"Precisamos ter mais contato com o povo! A língua de Machado de Assis é o português; nós falamos Brasileiro !".
Li, num dos grandes ensaios de Tristão de Athayde, que esses "modismos" da mídia passam; a base, a língua clássica, esta fica para sempre. Se o camarada nordestino está correto: 90% dos jornalistas são tão íntegros, profissionalmente, quanto Emma Bovary era, em relação a instituição do "casamento". Por que não?No Brasil, É direito. 
Tuesday, July 29, 2003
  Leitores de Clássicos

Um dos maiores problemas em relação a um clássico são os seus leitores. O autor, homem brilhante e passional, busca expor suas idéias e respectivos complexos da forma que lhe convém. Falhando ou não: todo caminho dá na publicação. Feliz da vida, vê a medonha obra publicada e já pensa em sucessos. Morre e, ironicamente, ganha mais fama. A questão é: para o bem ou para o mal? Não sei de muitos autores mas dois, com certeza, possuem um 'fan clubzinho' bem irritante: Nietzsche e Machado de Assis.
O primeiro, controvertido, perigoso e "legal", é moda: filosofia nunca foi tão "cool". De dez anos para cá, poucos livros foram tão estupidamente citados quanto 'O Anticristo'. Os adolescentes, revoltados que não se revoltam, citam Nietzsche duma forma cuja única comparação precisa e não hiperbólica seria Fabiano(Vidas Secas) citando Joyce do Finnegans Wake. Estou dizendo: é acanalhação pura. Nas universidades brasileiras, Nietzsche é transformado em Sócrates. Tudo errado.
O segundo caso é pior. É a junção do que a literatura tem de mais nefasto e boçal. Vou divagar sobre alguns grupos 'Machadianos', que a experiência, longa e tortuosa, me permite asseverar:
1- O 'High School'(Ensino Médio): detesta literatura, lê por obrigação, descobriu Machado, achou engraçado e decide ler mais. Em menos de três semanas, diz ter lido e entendido tudo mas desconhece Simão Bacamarte e Rubião.
2- Universitários Machadianos: a literatura brasileira passa a nascer com Machado: o que veio antes é disparate e depois plágio. O pessimismo e a secura foram originados de Machado de Assis. O autor não é apenas um autoditada mas um gênio original, merecedor de respeito e devocação mulçumana. O resto é pastiche.
3- Estrangeiros: constituem 5% dos leitores de cada país. Julgam serem intelectuais e com algum esforço, consideram-se "Os descobridores de Machado de Assis". Na vil arrogância, comparam o preto com Marcel Proust e Joyce. Acham-se muita coisa.
4- Machadianos Professores do Segundo Grau: literatura como forma de ganha pão e exposição de ignorância camuflada por erudição. Leitura aprofundada desnecessária; reflexão menos ainda. Importante suprimir qualquer instinto rebelde e anti-Machadiano, já que o mesmo é Deus- como diria Ramos- e ninguém quer brigar com quem não pode ganhar. Alunos 'subversivos' reclamam e os "tutores" julgam necessário fazer uso de imundos artifícios 'schopenhaurianos' para ganhar a discussão. Em 90% dos casos não estão com a razão, nem esperam estar.
5- Anti-Gracilianos: 85% são paulistas e o resto é adjacente a esse inferno. Embirram com Ramos pela falta de humor e "chatice". Lendo Vidas Secas, não conseguem chegar ao final e não sabem porque a cachorra tem o nome de Baleia- talvez por ser gorda. Obrigados a ler a obra, berram e esperneiam: não entendem o motivo de semelhante tortura: Ramos é chato, inexpressivo, nordestino comedor de calango, comuna, imbecil e não engraçadinho. Machado como solução, antídoto, desinfectante, camisinha. O humor à 'Anglaise' contra a dureza do mestre alagoano: o segundo, naturalmente, apanha, em conformidade com o "intelectualismo" brasileiro, fanático pela "gracinha". Ouvi dizer de algum escritor, brasileiro e frustrado, que o escritor para ser bom deve ser engraçado, já que é fácil e pedante ser sério. Opinião imbecil: Thomas Mann, em A Montanha Mágica, é mais sério que Kant e porta de cemitério. Provavelmente deve ser um paulistano, desses da nova geração. Reflexão "bairrista": já viram algum escritor paulistano de calibre?Tem o Mário de Andrade, que não ere bom poeta mas um grande homem, aqui desconfio da sua origem: será mesmo paulista?Também tem João Antônio, escritor duro, macho, "cabra" mas que morreu e não deixou indícios. Burrice desvalorizar preciosidade. O resto: irmãos Campos. Poesia concrestia: bosta de touro. Parece-me que os Anti-Graciliano paulistas teram que fazer mais do que recomendarem-me Fernanda Young e Mirisola(*).

* -> Desconhecia a origem deste senhor mas vejam só: também é paulistano. Coincidência? http://www.claque.com.br/colaboradores/coli062402.htm <- aqui tem um site dum "Biblioteconomico" em formação. Comparações entre Mirisola e Gregório de Mattos mais alguns elógios pacóvios para o primeiro, atestam o bom futuro do intelectual Brasileiro. Faz referências quanto ao uso da "pornografia" de quinta e compara com Bukowski. Esterco: monólogo final de Molly Bloom, em Ulysses, é suficiente para jogar tudo isso no chão. Mas um "Biblioteconomico" não vai ler semelhante porcaria. Melhor Mirisola e os japas safados.

<- Mirisola: Escritor, que leu o primeiro livro aos vinte seis, vê-se não influenciado pela canalha esnobe. A literatura 'teen', popular e amadora contra o "pedantismo arrogante" dos canônicos. Impossível semelhante atitude em outro país que não o Brasil.

 
Monday, July 28, 2003
  Quando a tradução vira uma arma...

Creio que deveria existir, em algum lugar, uma lista com livros que não deveriam ser traduzidos. Quando falo 'não traduzidos' que o leitor tome ao pé da letra. Impossível aturar algumas versões desgraçadas. As do Mario Quitana, Rachel de Queiroz, Millôr Fernandes, Lya Luft e Cecilia Meireles são classe 'A': fizeram o trabalho de casa com honra e evitaram traduções imbecis e descaracterizantes("Ao pé da letra"). Foi bom: pouparam alguns interessados de ler o que não deveriam e vice-versa. A tradução de 'Orlando', por Meireles, é violenta: não temos Virginia Woolf mas um perfeito híbrido 'Meireles/Woolf- o que é benigno: Woolf, em língua original, nada deve a uma "engraçadinha" 'classy'. Outra tradução violenta foi a de Ramos e seu A Paste. Camus tinha boas idéias, era interessante mas escrevia uma bosta: o alagoano tratou de cortar 2\3 do livro e emendar o que estava errado: se Camus não ficou melhor, é porque a possibilidade inexistia. Millôr Fernandes jogou direito quando traduziu 'Don Juan' de Molière: manteve o sarcasmo e a narração agradável; casou-se bem com o "Tartufo". Queiroz, em profunda desvantagem, pegou 'Os Possessos' de Dostoievski. Mas mesmo assim manteve o estilo limpo, digno. Dosto não escrevia muito bem- segundo alguns leitores de russo- e não existem motivos para ignorar isso: o resto o redime. Gênio. O que dizer de Quitana?Sua tradução de 'Mrs.Dalloway' fez milagre: Woolf como best-seller?Quitana foi perverso: se a dondoca do Bloomsbury e o grande poeta ainda estivessem vivos, certamente haveria troca de tiro. Mas a sua tradução de Proust é tesouro precioso. E quanto a Lya Luft?Está merece destaque: seu 'A Ratazana' é obra-prima. Lya captou o estilo e a atmosfera de Günter Grass: não o de um alemão mas um francês satírico, pitoresco e bastante agradável. Conseguiu manter uma certa elegância(ecos de Doutor Fausto?). Tradução difícil mas que a poetisa cumpriu com precisão.
Falei bem das nossas traduções mas agora vamos voltar ao pessimismo inicial: Ulysses - Houaiss. Comprei(40 reais, usado) e joguei os mesmos fora: Houaiss, aqui, derrapou feio: gramático de meia-tigela, entupido de imbecilidades e com a loucura de "substituir" Aurélio. Onde foi que arranjou pretensão o suficiente para traduzir Ulysses?Desafio qualquer um a pegar o Ulysses em inglês, ler e depois ler o em português. O de inglês torna-se Michael Crichton. Português?Negativo, é tudo menos português: "Uaiss" acanalhou Joyce. Sua tradução faz-me lembrar de G.W.Bush tendo o seguinte pensamento:-"Cansei da presidência, vou traduzir Rosa e ficar famoso."Idéia de macaco. Quem já se viu um cabra feito Houaiss se sujar por tão pouco?Brasileiro, em geral, não gosta de Joyce e muito menos de Ulysses, que não vende: é "chato", é "pornográfico", é "pretensioso", é "imbecil", é "complicado" e etc. Quem vai ser o próximo imbecille a querer "bimbar" Joyce de vez?Não já bastou a desgraçada da filha e a decepção do pai?Ainda querem torná-lo ilegível?Quero meus quarenta... 
  Refutação como ocupação de espaço

Para atualizar esse site, decido satisfazer alguns possíveis leitores, com umas pequenas refutações. O candidato foi Ewald Filho, honrado crítico de cinema de um país onde "o cinema é expressão de favelado", quando sendo otimista. Quando não sendo, Fernanda Young e derivados respondem pelo resto. Vamos lá.

1- Da Cópia: O ilustre crítico andou dizendo, sobre 'Extermínio': "Fico sempre espantado como não li em qualquer crítica uma referência óbvia, que é a de que ''Extermínio'' não passa de uma refilmagem disfarçada, sem pagar direitos autorais a outras obras, mais notadamente uma fita modesta com Vincent Price, ''The Last Man on Earth'', de 1964, de Sidney Salkow; também ''Mortos que Matam'', que aproveitava um livro do famoso Richard Matheson, ''I Am a Legend'', que depois foi refeito como ''O Último Homem da Terra''; e ainda ''Omega Man'', 1971, com Charlton Heston." [Ewald Filho, crítica: Exterminio. http://epipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_critica.cfm?id=1610]. Ora, tomando a 'similaridade de idéias' como 'refilmagem'(de alguma forma: cópia ou plágio): eu posso ajudar 'Rubinho' acrescentando que O Resgate do Soldado Ryan- que ele não gostou mas não alegou 'similaridade'-, com o seu "soldados por um soldado", poderia muito bem ser um plágio de: A) Alexandre Dumas - 'Os Três Mosqueteiros'- todos por um? ou B) Rambo III(categoria: GUERRA, o mesmo de 'O Resgate...', segundo o Imdb, respeitável site de cinema), quando John Rambo renega a ajuda de Trautman, em relação a invasão do Afeganistão mas depois é obrigado a salvá-lo, pois este foi capturado por um general comuna-sádico; Rambo junta-se a mais alguns rebeldes para salvar o capturado. Todos por um? -"Ah, mas Rambo III é totalmente filme B e o diretor não tem filmografia nem nada. O Soldado Ryan é inovador, é Spielberg!", algum leitor pode perguntar. Aí eu sou obrigado a concordar mas se leram a crítica de "Rubinho", veram que o mesmo nada disse- aliás, ignorou totalmente- os méritos estéticos de 'Exterminio' para criar sua crítica em cima desta base: "similaridade como plágio". Assim, me deu a liberdade de refutar a dele com a mesma "base". Mas chego, obviamente, a alguma conclusão: Spielberg deveria pagar direitos autorias ao Peter MacDonald ou este processá-lo por: utilizar o tema 'resgate'(primeira similaridade), numa 'guerra'(segunda similaridade mas o própio "Rubinho", depois, alegou que só mudava o lugar. Também posso fazê-lo), 'inimigos associados a ideias(terceira similaridade: em Rambo, usam-se 'comunistas', versão burra e similar, segundo Nelson Rodrigues- de quem Rubens parece presar- dos nazistas). Em outras palavras: tu pegas o filme O Resgate do Soldado Ryan, botas um imbecil- exceção óbvia: Spielberg- qualquer para dirigir, trocas Hanks por Stallone, mudas o lugar para o Afeganistão e trocas o Nazi pelo Comuna: tens Rabom III. Simples, não?Mas "Rubinho", que acha Spielberg um gênio, ignorou essa idéia por execrar Rambo III- aqui concordo com ele- e não querer sujar o Buda de Hollywood. Como não presto, tomo para mim esse trabalho.
2- Do Realismo: Rubinho", o gênio da crítica, disse de 'Do Inferno', adaptação de uma "graphic novel"[quadrinhos para adultos ] : "o filme abusa das cenas de sangue e violência de forma desagradável. De tal forma que quase chega a parecer um filme de terror. Já vi melhores versões sobre o Estripador. Esta pode ser evitada."{Ewald Filho. Crítica: Do Inferno. http://epipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_critica.cfm?id=1297 } <- Aqui vemos Rubens criticar o 'abuso de cenas de sangue e violência'. Certamente, também execro isso e o leitor, se não for louco, faz o mesmo. Natural. Mas creio que neste caso, tratando-se duma história onde um maniaco, que estripa mulheres com facões e bistúris e ainda por cima levando-se em conta que o filme foi baseado numa 'Graphic Novel[no site, o leitor verá que "Rubinho" generalizou o fato: admitindo que 'Graphic Novel' são apenas "quadrinhos". Mas o leitor, que deve ter lido Descartes- ou Kant- e aprecia uma boa lógica, vai chegar a esta conclusão bizarra: Mickey Mouse e Pato Donald pertencem a mesma galeria, já que são também "quadrinhos"(independente da faixa etária, já que 'Rubinho' não a determinou) que Jack, o estripador e V de Vingança]. Depois disso chega-se a mais conclusões sobre "Rubinho": A) não sabe o que é um filme de terror, por pedir a ausência de violência quando o 'terror' tem origem nela(seja psicológica ou física).B) desconhece que ao enfiar um bistúri, num corpo humano, sai dali sangue e que a cena pode não ser bonita C) confundiu "um filme de comédia dark", por pedir a omissão de detalhes reais em prol, obviamente, de uma maior leveza, com um filme "sobre serial killer" D) Não aprecia 'o realismo', já que preferivelmente expõe uma idéia de que esses detalhes mórbidos são desnecessários e deveriam ser omitidos mas vejam só "Sem dúvida é mais realista (mostra corpos explodindo, membros voando com mais freqüência) e muito bem filmado (em particular na meia hora inicial)." [Ewald Filho. Crítica: Resgate do Soldado Ryan. http://epipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_critica.cfm?id=541] , parece-me que ele aqui fez uma concessão a Spielberg, por se tratar de "um filme de guerra" mas recusou-se a fazer por 'Do Inferno', por se tratar dum "filme de Serial Killer" e E) A violência, quando não usada em excesso e não sendo 'realista', pode até ser agradável. Fiquei sem entender.
3- Do "Blockbuster": Rubinho diz, na sua crítica de 'O Homem que Fazia Chover': "Ele(Coppola) virou - como muitos antes dele - apenas um fazedor de filmes de encomenda, mais preocupado com dinheiro do que arte ou coisa que o valha. Faz qualquer coisa, até mesmo aceita adaptar um best-seller do autor John Grisham (''O Cliente'', ''Dossiê Pelicano'', ''The Gingerbread Man'', de Robert Altman, num caso semelhante a este)." [Ewald, Filho. Crítica: O Homem que Fazia Chover. http://epipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_critica.cfm?id=1392] mas depois alega, já em As Panteras 2: "Talvez por não estar com paciência para blockbusters metidos à besta, pretensiosos, querendo discutir o futuro da humanidade ou o sentido da vida." [http://epipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_critica.cfm?id=1603]. Não entendo mas notei isso: no primeiro caso ele critica a posição de Coppola e Altman ao dirigirem 'best-sellers' de Grisham mas parece-me dizer, já no segundo caso, que gostou do 'blockbuster', As Panteras 2, sendo este "não metido à besta, não pretensioso, não querendo discutir o futuro da humanidade ou o sentido da vida." Adicionei o 'não' porque se As Panteras II tivesse pelo menos(e tem pelo menos um, asseguro) desses defeitos, "Rubinho" entraria em mais contradições- e ninguém quer ver isso. Vamos a algumas conclusões: A) Rubinho não sabe o que significa 'blockbuster' B) Rubinho, embora goste de Blockbusteres, não gosta deles quando são feitos por grandes diretores C) Rubinho, ao utilizar o 'Até', parece não ir com a cara dos dramas "de tribunais" de John Grisham, preferindo achar "honroso" o torso nu de Rodrigo Santoro e sua atuação muda("Logo depois(Rodrigo Santoro) some{nota do autor: 5 minutos, somando todas as cenas em que Santoro aparece. Tempo do filme: 106 min}, mas está com bom tipo e começar assim em Hollywood não acho nada desonroso." [Crítica: As Panteras II"].
Uma observação: fiz essas refutações em menos de 30 minutos. Julguei melhor pegar as mais comuns do que as mais ridículas visto não querer humilhar Rubinho- ele mesmo se dá o trabalho- mas apenas apontar algumas irregularidades. Nada demais.
<- Maior Autoridade Brasileira em cinema: "Rubinho" 
Saturday, July 26, 2003
  Complicações

Que Hollywood está em decadência de ideias, não é novidade e nem espera-se ser: a cópia, sendo copiada trezentas vezes, cansa. "Tudo Cansa", como diria Machado e mais de um milhão- com exceção dum amigo meu- de 'Machadianos', copiadores de quinta e também asnos catedráticos. Mas um interessante caso seria esse do 'T3' ou Exterminador do Futuro...Pensei que o livro havia sido fechado com o T2- na verdade, foi- mas a situação parece ser outra: uns camaradas, sedentos por capital, decidiram abrir o livro e adicionar mais alguns disparates: cyborgzinha volta do futuro para matar um bostinha e uma sicraninha, que foi adicionada mas apenas berra- o que é bonito, em conformidade com o gosto das americanas. Para evitar a tragédia, outro cyborg- um pouco 'conservado'- volta também do futuro para defender o casal fracote. Com pouco drama, vence a fêmea, sorrir para câmera e demanda escasso ordenado:-"Agora os quinze mi..."Recebe sem problemas e provavelmente sairá pensando em complicações futuras:-"Fiz minha parte. Votos, por favor..."Ganhando assim a eleição, expõe os valores morais replublicanos e faz louvores ao "conservadorismo": -"Somos a salvação da América: fazemos; os outros só pensam." Bullshit: está mais para vilão do T4. 
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